Tuesday, October 30, 2007

Chennai e a costa este!

....que é como quem diz, o estado de Tamil Nadu.

E pronto! Foi desta que foram batidos todos os recordes…… Demorei 26 horas a chegar ao meu destino, sedo que 19 dessas horas foram no comboio. Nem sequer vou aqui por fotos disso porque era demasiado deprimente olhar para a minha cara naquele estado.

O destino era a grande cidade de Chennai, só que chennai não tem muito para ver, então decidimos seguir mais para sul, para a antiga colónia francesa de Pondycherry. Para isso partimos da mais estação rodoviária da Ásia, a de chennai. Chegamos eram nove da noite mortos de cansaço…só queríamos um duche e uma refeição decente!





Isso é que era bom! Andamos mais de uma hora à procura de sítio onde ficar. Estava tudo cheio e os que tinham vagas, tinham recolher obrigatório Às 10 da noite ….isto numa cidade super turística…este país realmente tem coisas que não se percebe! E também não vimos muitos turistas por isso não sei como é que os hotéis estavam cheios.



Depois de muito esforço lá conseguimos arranjar um hotel muita manhoso e ridiculamente caro e que supostamente estaria reservado para veteranos do exército cristão francês….alguém sabe o que isto é? Seja como for, abençoada colónia francesa que faz com que se possa comer um bife de vaca grelhado de comer e chorar por mais …. O chorar, neste caso, é quase literal!

Ideia brilhante para o outro dia de manhã: baza acordar cedo e ver o nascer do sol no oceano indico! Era obvio que isto não ia dar bom resultado, mas só percebemos isso na manhã seguinte, depois de nos levantarmos às 5:30 da matina e percebermos que estava enublado
Esta cidade desperta-me sentimentos contraditorios (como alias toda a Índia...mas adiante), se por um lado tem os edifícios mais bonitos, por outro tem as ruas mais sujas, com mais mendigos por metro quadrado e mais buracos nas lajes que tapam os esgotos. Para além disso, apenas esta zona à beira-mar tem este aspecto, o centro da cidade é tão caotico como qualquer outra cidade indiana. Seja como for, ainda passamos um belo dia de passeio pela cidade e bati o meu recorde pessoal de número de igrejas visitadas num dia…num total de 3…todas muito giras, é engraçado ver o que os indianos fazem com as igrejas católicas, que, como nós as conhecemos costumam ser um exemplo de sobriedade (tirando a exuberância do altar). Na Índia, quanto mais coloridas melhor, nem o Santo António escapa….e ate encontramos uma bíblia em hindi!




















Ainda fomos abençoados por um elefante, vimos a estátua do Gandhi na praia, visitamos uma livraria com livros antiquíssimos e almoçamos um belo bife com batatas fritas e salada...enfim, um dia em cheio.
Ao final do dia partimos para Mammalapullam. Quando chegamos parecia outro mundo, completamente diferente de Pondicherry. A sensação era difícil de explicar, mas ali parecia que éramos bem-vindos, todos nos diziam boa noite e todo queriam que comecemos nos nos seus restaurantes e dormíssemos nos seus hotéis…….realmente muito diferente de Pondicherry. Para além disso, era o paraíso das compras…..dezenas de lojinhas e bancas onde se podia comprar todo o tipo de quinquilharia, roupa, souvenirs, etc…

O temporal dessa noite foi dos mais violentos que alguma vez vi, entre trovoada e ventos torrenciais, cortes de luz (que fez com que não pudéssemos carregar telemóveis nem ligar a ventoinha), tivemos uma certa dificuldade em dormir. O mais estranho é que a meio da noite tínhamos a porta do quarto escancarada….o que meteu um certo medo.

A manhã do dia seguinte foi passada entre compras e tentativas de aproveitar a praia, mas mais uma vez, a presença de centenas de indianos que não têm noção de espaço, arruinou qualquer hipótese de ter uma manhã bem passada. Assim seguimos para visitar o Shore Temple, um templo que miraculosamente resistiu ao tsunami de 2004. Com os passeios pela vila começamos a achar estranho estar tudo fechado e depois percebemos que era dia de greve geral em todo o estado de Tamil Nadu, o que significava que não íamos ter autocarro para voltar para Chennai. Para agravar a situação, a tempestade da noite anterior deu cabo de tudo o que era linhas telefónicas, ou seja, não havia telefones para ninguém! Tudo isto resultou no fato de termos de alugar um táxi para voltar para Chennai.



Mammalapullam é conhecido pelas gravações em pedra que vão desde grandes macicos de pedra a pequenas bugigangas decorativas passando por monumentos e estátuas. Nessa tarde alugamos bicicletas e fomos passear pelos varios monumentos espalhados pela vila. Vimos muitos Mandapams, que são elementos religiosos esculpidos em grandes blocos de pedra, ou monumentos inteiros que nasceram de uma so rocha. Subimos à montanha que tem o farol para apreciar a vista panoramica e acabamos a tarde no ex-libris da cidade, os Five Rathas que é um recinto com um conjunto de cinco monumentos a cinco deuses diferentes:
Draupadi Ratha, dedicada à deusa Durga, mãe e destruidora do mal;
Arjuna, a Shiva o destruidor;
Bhima, a Vishnu o preservador;
Dharmaraja, que não percebi a quem era;
e o Nakula-Sahadeva, dedicado a uma tal de Indra. O meu preferido, o Ganesh tinha a sua propria Ratha e estava isolado dos outros, não fomos lá.... Se pensam que não sei perfeitamente no que estão a pensar quando se fala em Rathas, estão enganados....foi é pena não ter feito esta viagem com mais nenhum português.....isso é que ia ser rir!


Enquanto lá estavamos ainda fizemos amizade com uns indianos muito modernos que brincavam com a sua propria religião e que, para variar, pediram para tirar umas fotos connosco!


















A meio da tarde ainda encontramos um indiano, conhecido por Free Cool Baba que sabia falar e cantar em várias línguas que nos convidou para o seu restaurante e nos obrigou a ler em voz alta dezenas de cartas e postais de pessoas que se tinham cruzado com ele ao longos dos 20 anos que era instrutor de ioga....foi um bocado seca, mas acabou por dar jeito porque nos abrigou de uma chuvatorrencial que caiu durante a tarde.


Em Chennai apercebemo-nos da grandiosidade da estação de comboios, naquela voltamos a apanhar o comboio para mais umas 18 horas de viagem ate Mangalore…das quais dormi umas 11!

Quando chegamos a Manipal até beijamos o chão.....there's no place like home!

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