Wednesday, November 7, 2007

Goa.....outra vez


Eu realmente não podia deixar a Índia sem voltar a Goa e conhecer melhor o legado Português…..já me basta não ir ao norte ver o Taj Mahal e afins!

Assim, a meio da semana, como já tinha acabado o trabalho extenuante no laboratório, partimos para a minha última viagem na Índia. Desta vez o destino era o norte de Goa: Goa Velha e a Praia de Anjuna, com paragem obrigatória em Margão.

A viagem até Margão foi um suplicio….seis horas na terceira classe do comboio…aquela que aparece nas notícias apinhada de gente. As meninas até têm sorte porque existe o ladies wagon, mas mesmo assim a primeira hora de viagem fomos de pé porque nenhuma das gajas que estava deitada a ocupar 3 lugares se levantou para nos deixar sentar. Já os meninos não tiveram a mesma sorte e tiveram mesmo que ir no meio da molhada…literalmente…nem sequer havia espaço no chão para se sentarem e tiveram que ir em pé as seis horas de viagem bem aconchegadinhos no meio do indianos e sem espaço para respirar…..não lhes invejo a sorte! Isto tudo porque fomos preguiçosos , desleixamo-nos a reservar o bilhete e fomos À confiança para a estação sabendo que na Índia não há conceito de lotação esgotada….tivemos azar e pelos vistos, existe conceito de lotação esgotada mas apenas para a classe sleeper não para a terceira classe!
Era uma da manhã quando saímos de Udupi e 7 quando chegamos a Margão. Aí tivemos de mudar de comboio para chegar até Karmali, a estação mais próxima de Old Goa.

Esta pequena terriola, que em tempos se disse que poderia rivalizar com Lisboa ou Londres, hoje em dia, apesar de muito bonita, não passa de um conjunto de igrejas de vários tamanhos distribuídas por uma fantástica paisagem à beira-rio coberta de verde. Confesso que é estranho ver igrejas rodeadas de palmeiras. Passamos a manhã a passear pela cidade e eu só me perguntava: se isto era assim tão espectacular, onde raio estão as casa onde as pessoas moravam…ou moram? Porque não se vê casas apenas igrejas e mais igrejas (desta vez é que bati o recorde de igrejas vistas num dia….perdia a conta!). Seja como for é um sítio lindíssimo, cheio de apontamentos portugueses (para além das igrejas) nem o S. antónio escapa e o que se vê com mais frequência são homens com a t-shirt da selecção portuguesa.
Depois do almoço seguimos para a praia de Anjuna. Pra lá chegarmos teríamos de apanhar um autocarro para Panaji, depois outro para Mapusa e posteriormente para de Mapusa para Anjuna. Esta odisseia de 3 autocarros só me lembra do episódio para chegar a Varkala quando estávamos em Kerala que demorou 5 horas. De maneiras que nos armamos em ricaços e fomos de táxi.

Chegados a Anjuna, almoçamos num restaurante manhoso e tivemos uma extrema dificuldade para arranjar sítio onde ficar, tal era a quantidade de turistas naquela praia. Resolvido o problema, passamos para a parte agradável, e já há muito esperada, parte do dia: PRAIA! Água a uma temperatura absurdamente boa, um calor e sol espectaculares e um por do sol fantástico. Esta tarde na praia soube que nem gingas e era tudo o que estávamos a precisar para recarregar energias depois de uma noite e manhã cansativas.




No final da tarde ainda me armei em labrega fui tirar uma foto com um gajo que lá estava com uma camisola de Portugal com o Cristiano Ronaldo. E pelos vistos gostava mesmo dele porque no outro dia estava com outra t-shirt do Ronaldo. e eu estava farta de ver gente com camisolas dssas e nunca tirar fotos.....




À noite, jantamos num dos restaurantes mais requisitados lá do sítio, literalmente na praia e até comemos tubarão grelhado, prato do qual fiquei fã. E foi com esta bela roupa que o Lauri nos brindou com a sua presença ao jantar...até se confunde com a cadeira!

No outro dia, foi o levantar cedinho, tomar um pequeno-almoço soberbo com os pezinhos dentro de água e dividir a manhã entre ficar estendida ao sol e dar grandes cacholadas naquelas ondas. Depois do almoço deliciamo-nos com a maior atracção de Anjuna (para álem da praia e do LSD…) o mercado de quarta-feira. Tivemos sorte, foi só a segunda semana que fizeram visto que ainda estávamos no inicio da época balnear…e mesmo assim já estava apinhado de turistas e com um calor abrasador…no que toca às praias de Goa, volto a repetir: não quero imaginar como será quando for o auge da época.

Foi a maior feira da ladra que vi, cheia de cores e de turistas e por isso mesmo deve ser onde os preços são mais inflacionados, por isso acabamos por não comprar muita coisa, mas ainda fiz uma henna. Ao final da tarde voltamos a armar-nos em finos e fomos de táxi até Margão, de onde tínhamos o comboio de volta para Udupi. Só tínhamos comboio à 1:40h da manhã e fomos para lá às seis da tarde…erro! A ideia era ver Margão, mas Margão não tem muito para ver, apenas uma rua gira, um parque infantil e um Palácio que estava fechado ao público visto que é agora o Secretariado de Margão (seja lá o que isso significa). Isto resultou em cinco pessoas com mochilas às costas à noite numa cidade sem nada para ver e com mais de 7 horas sem nada para fazer. Fomos dar uma volta ao mercado local, que acabou por não ser uma desilusão total e jantamos num belíssimo restaurante chinês. Mesmo assim ainda tínhamos imenso tempo para matar e num dos guias dizia que Margão tinha a maior sala de cinema de Goa e que passava tanto filmes de Hollywood como de Bollywood. Ainda fomos até lá e até tinha bom aspecto, só que só tinham filmes indianos sem legendas e há hora que o filme acabava não tínhamos maneira de voltar para o centro e para a estação….desistimos da ideia e fomos para o Café Coffee Day lá do sitio até fechar…..

Ainda estivemos horas à espera de comboio porque este atrasou-se uma hora e meia e eram nove da manhã quando chegamos a Udupi!

Coorg

E algum dia tinha de ser….tinha que cometer o erro de me meter numa aventura organizada pelos membros do IAESTE! Da primeira vez que eles tentaram ninguém se meteu nisso até porque todos tínhamos planos para esse fim-de-semana. No entanto, desta vez, até havia bastante gente sem programa definido e uma quantidade de gente nova que ainda não tinha bem noção da desorganização….já eu não tive essa desculpa….fui mesmo bronca!

Pegaram em 19 pessoas e puseram-nos num mini-bus que tem 19 lugares…bem aconchegadinhos, não fossemos nós sentir frio, para além disso aquilo era tipo autocarro da carreira…apenas preparado para pequenas distâncias, nunca para 7 horas de viagem! O resultado disto é que todos nos safavamos como podiamos e ate houve uns quantos que cabaram por dormir no corredor do autocarro.
E assim foi, à meia-noite partimos para a região de Coorg conhecida pelas paisagens luxuriantes ideais para caminhadas e pelas suas plantações de café. Depois da verdadeira tortura que foi a viagem finalmente chagamos às sete e meia da manhã.

Depois de tomado o pequeno almoço numa das tascas locais partimos para Bylakuppe, uma cidade formada por refugiados tibetanos fugidos das invasões chinesas. E como podemos ver eles são muito protectores da sua nova terra. Aqui encontramos o Namdroling Monastary onde fica o Golden Temple, um espetacular templo budista cheio de cor e abelhas…. Também dentro do monsteiro fica o Zangdogpari Temple onde pudemos assitir às rezas budistas.





Quem acha que os budistas são pessoas calmas e espirituais está muito enganado. O que eles têm é muito olho para o negócio porque mesmo em frente ao mosteiro encontra-se o único centro comercial da região (e o único que vi em toda a Índia).















Visitado o centro comercial, voltamos para o autocarro mais confortável do mundo para irmãos até à Dubare Forest Reserve. A entrada (que custa 10 rupias) para o parque faz-se por uma ponte suspensa sobre o rio Cauvery e logo no inicio podemos ver o espaço dos coelhos e dar de comer a veados…muito muito engraçado! Dentro deste parque, não fosse os indianos que por lá andavam a seguir-nos, até nos podíamos esquecer que estávamos na Índia: desde parques infantis a casas nas árvores passando por baloiços suspensos em árvores ate era um sítio bastante agradável de se estar e ainda deu para fazer umas comprinhas.




















À saída do parque ainda encontramos um grupo de motoqueiros que insistiu que lhes tirassemos umas fotos......sempre a conviver com os locais!














Ao fim da manhã seguimos para a capital da região, Madikeri, para almoçarmos no Coorg International Hotel…supreendentemente foi uma bela refeição que se prolongou por umas duas horas e meia tal era o estado de cansaço.


E aqui é que se começou a ver com clareza a desorganização daquele IAESTE…como as coisas não estavam a correr exactamente como eles tinham planeado e o programa não estava a ser seguido ao segundo, começaram a ficar confusos e dar ordens a torto e a direito….muito agradável! Resultado, depois de muita confusão e indecisões lá partimos para as Abbey Falls, umas cataratas muito concorridas. Eram bonitas, mas depois de se ter estado nas Jog Falls, estas perdem um bocado o encanto!
















Depois das cataratas, e depois de muita insistência nossa, fomos visitar umas plantações de café. Como não estava planeado, tiveram que ir pedir por favor a uma senhora dona de uma plantação para lá entrarmos e como tal só nos pudemos deslocar num raio de 5 metros. No entanto, como nunca tinha visto café antes de estar pronto para se beber até foi educativo.


















Ao final da tarde voltamos para Madikeri para visitar a cidade com mais calma e fazer umas comprinhas.
Depois disto, foi jantar e voltar a entrar no autocarro para mais 7 horas de conforto. Eram 3 da manhã quando chegamos a Manipal….todos os nossos roomates ficaram encantados de os acordarmos a essa hora, numa madrugada de domingo para segunda-feira, para nos abrirem a porta!

Saturday, November 3, 2007

O famoso Sky Lounge

Já era mais que tempo de fazer uma referência ao estabelecimento de diversão nocturna que mais gargalhadas nos proporcionou. É aqui que vamos pelos menos uma vez por semana e é aqui que assistimos às mais variadas performances de dança. No geral é um espaço agradável, não fosse estar sempre a passar a mesma música, ou punjabis indianos ou rap americano…yo yo yo! Aqui vão alguns snapshots desse monumento da diversão!














Las chicas e los chicos!

















Some crazy dancing















Agora ate arranjamos outro sitio melhor para ir...o Edge...e até é bem mais perto da minha casa...mas não tem a mesma mística. Por outro lado...passaram Buraka Som Sistema!

Tuesday, October 30, 2007

Chennai e a costa este!

....que é como quem diz, o estado de Tamil Nadu.

E pronto! Foi desta que foram batidos todos os recordes…… Demorei 26 horas a chegar ao meu destino, sedo que 19 dessas horas foram no comboio. Nem sequer vou aqui por fotos disso porque era demasiado deprimente olhar para a minha cara naquele estado.

O destino era a grande cidade de Chennai, só que chennai não tem muito para ver, então decidimos seguir mais para sul, para a antiga colónia francesa de Pondycherry. Para isso partimos da mais estação rodoviária da Ásia, a de chennai. Chegamos eram nove da noite mortos de cansaço…só queríamos um duche e uma refeição decente!





Isso é que era bom! Andamos mais de uma hora à procura de sítio onde ficar. Estava tudo cheio e os que tinham vagas, tinham recolher obrigatório Às 10 da noite ….isto numa cidade super turística…este país realmente tem coisas que não se percebe! E também não vimos muitos turistas por isso não sei como é que os hotéis estavam cheios.



Depois de muito esforço lá conseguimos arranjar um hotel muita manhoso e ridiculamente caro e que supostamente estaria reservado para veteranos do exército cristão francês….alguém sabe o que isto é? Seja como for, abençoada colónia francesa que faz com que se possa comer um bife de vaca grelhado de comer e chorar por mais …. O chorar, neste caso, é quase literal!

Ideia brilhante para o outro dia de manhã: baza acordar cedo e ver o nascer do sol no oceano indico! Era obvio que isto não ia dar bom resultado, mas só percebemos isso na manhã seguinte, depois de nos levantarmos às 5:30 da matina e percebermos que estava enublado
Esta cidade desperta-me sentimentos contraditorios (como alias toda a Índia...mas adiante), se por um lado tem os edifícios mais bonitos, por outro tem as ruas mais sujas, com mais mendigos por metro quadrado e mais buracos nas lajes que tapam os esgotos. Para além disso, apenas esta zona à beira-mar tem este aspecto, o centro da cidade é tão caotico como qualquer outra cidade indiana. Seja como for, ainda passamos um belo dia de passeio pela cidade e bati o meu recorde pessoal de número de igrejas visitadas num dia…num total de 3…todas muito giras, é engraçado ver o que os indianos fazem com as igrejas católicas, que, como nós as conhecemos costumam ser um exemplo de sobriedade (tirando a exuberância do altar). Na Índia, quanto mais coloridas melhor, nem o Santo António escapa….e ate encontramos uma bíblia em hindi!




















Ainda fomos abençoados por um elefante, vimos a estátua do Gandhi na praia, visitamos uma livraria com livros antiquíssimos e almoçamos um belo bife com batatas fritas e salada...enfim, um dia em cheio.
Ao final do dia partimos para Mammalapullam. Quando chegamos parecia outro mundo, completamente diferente de Pondicherry. A sensação era difícil de explicar, mas ali parecia que éramos bem-vindos, todos nos diziam boa noite e todo queriam que comecemos nos nos seus restaurantes e dormíssemos nos seus hotéis…….realmente muito diferente de Pondicherry. Para além disso, era o paraíso das compras…..dezenas de lojinhas e bancas onde se podia comprar todo o tipo de quinquilharia, roupa, souvenirs, etc…

O temporal dessa noite foi dos mais violentos que alguma vez vi, entre trovoada e ventos torrenciais, cortes de luz (que fez com que não pudéssemos carregar telemóveis nem ligar a ventoinha), tivemos uma certa dificuldade em dormir. O mais estranho é que a meio da noite tínhamos a porta do quarto escancarada….o que meteu um certo medo.

A manhã do dia seguinte foi passada entre compras e tentativas de aproveitar a praia, mas mais uma vez, a presença de centenas de indianos que não têm noção de espaço, arruinou qualquer hipótese de ter uma manhã bem passada. Assim seguimos para visitar o Shore Temple, um templo que miraculosamente resistiu ao tsunami de 2004. Com os passeios pela vila começamos a achar estranho estar tudo fechado e depois percebemos que era dia de greve geral em todo o estado de Tamil Nadu, o que significava que não íamos ter autocarro para voltar para Chennai. Para agravar a situação, a tempestade da noite anterior deu cabo de tudo o que era linhas telefónicas, ou seja, não havia telefones para ninguém! Tudo isto resultou no fato de termos de alugar um táxi para voltar para Chennai.



Mammalapullam é conhecido pelas gravações em pedra que vão desde grandes macicos de pedra a pequenas bugigangas decorativas passando por monumentos e estátuas. Nessa tarde alugamos bicicletas e fomos passear pelos varios monumentos espalhados pela vila. Vimos muitos Mandapams, que são elementos religiosos esculpidos em grandes blocos de pedra, ou monumentos inteiros que nasceram de uma so rocha. Subimos à montanha que tem o farol para apreciar a vista panoramica e acabamos a tarde no ex-libris da cidade, os Five Rathas que é um recinto com um conjunto de cinco monumentos a cinco deuses diferentes:
Draupadi Ratha, dedicada à deusa Durga, mãe e destruidora do mal;
Arjuna, a Shiva o destruidor;
Bhima, a Vishnu o preservador;
Dharmaraja, que não percebi a quem era;
e o Nakula-Sahadeva, dedicado a uma tal de Indra. O meu preferido, o Ganesh tinha a sua propria Ratha e estava isolado dos outros, não fomos lá.... Se pensam que não sei perfeitamente no que estão a pensar quando se fala em Rathas, estão enganados....foi é pena não ter feito esta viagem com mais nenhum português.....isso é que ia ser rir!


Enquanto lá estavamos ainda fizemos amizade com uns indianos muito modernos que brincavam com a sua propria religião e que, para variar, pediram para tirar umas fotos connosco!


















A meio da tarde ainda encontramos um indiano, conhecido por Free Cool Baba que sabia falar e cantar em várias línguas que nos convidou para o seu restaurante e nos obrigou a ler em voz alta dezenas de cartas e postais de pessoas que se tinham cruzado com ele ao longos dos 20 anos que era instrutor de ioga....foi um bocado seca, mas acabou por dar jeito porque nos abrigou de uma chuvatorrencial que caiu durante a tarde.


Em Chennai apercebemo-nos da grandiosidade da estação de comboios, naquela voltamos a apanhar o comboio para mais umas 18 horas de viagem ate Mangalore…das quais dormi umas 11!

Quando chegamos a Manipal até beijamos o chão.....there's no place like home!

Caixotes do lixo

Já que estamos a falar de temas agradaveis, vou continuar com assuntos relacionados com a minha engenharia...eh eh.

Como ja referi, os indianos não têm grande noção de higiene e muito menos de por o lixo no lixo. Deduzo eu, que, para combater esse fenómeno, as autoridades tentaram fazer com que os caixotes do lixo fossem apelativos e divertidos. Isto resultou numa colecção de caixotes do lixo que colocionamos tal qual cromos da caderneta.
Passo a demonstrar:






Este é o pinguim gigante que estava na estação de Gokarna...foi o nosso primeiro contacto com estas belezas, visto que em Manipal não há caixotes do lixo....de todo!
















Este adoravel coelhinho estava na estação de comboios de Chennai.















Tanto o macaco como os seus sosias humanos estavam à porta de Igreja da Imaculada Conceição em Pondicherry

















Este canguru não me lembro onde estava, mas também era muito agradável.....não queriam mesmo pôr ali qualquer tipo de lixo!
























Este ursinho fofucho tenho a impressão que era numa estação de comboios, mas também já não me lembro. Mas não é tão fofi???? E ele pede com tanta delicadeza...use me!!















O Alex gostou muito deste!